Novembro azul: Saúde masculina em foco
O mês de novembro marca um momento especial para discutir a saúde do homem de maneira mais ampla e fundamentada. Embora o movimento Novembro Azul tenha surgido voltado principalmente à prevenção do câncer de próstata, ele acabou se transformando em um espaço mais amplo de reflexão sobre o cuidado masculino. O debate inclui não só aspectos biológicos, mas também comportamentos e fatores sociais que influenciam o modo como os homens adoecem e buscam ajuda. Longe de ser apenas uma ação simbólica, a campanha instiga uma revisão crítica das práticas de cuidado e das barreiras que ainda dificultam o acesso aos serviços de saúde. O câncer de próstata permanece como a segunda neoplasia mais frequente entre homens no Brasil, com estimativas de cerca de 72 mil novos casos em 2024 e mais de 16 mil óbitos registrados recentemente (INCA, 2025). Considera-se que em grande parte, o CA de próstata é uma doença de evolução lenta, e seu impacto continua elevado, justamente porque muitos diagnósticos ocorrem tardiamente. Ainda há uma resistência importante à procura por consultas preventivas, o que faz com que os homens busquem atendimento com até 30% menos frequência do que as mulheres. Estudos na área da saúde coletiva mostram que essa baixa adesão ao cuidado não surge ao acaso, ela está relacionada a modelos tradicionais de masculinidade que reforçam a ideia de autossuficiência. Muitos homens foram educados a entender o cuidado como sinal de fragilidade, o que acaba gerando um afastamento constante dos serviços de saúde e abrindo espaço para o surgimento de doenças crônicas e transtornos mentais. Dentro dessa perspectiva, praticar atividade física, manter uma alimentação equilibrada, reduzir o consumo de álcool, abandonar o tabagismo e aprender a manejar o estresse são ações que, embora simples, têm impacto direto na qualidade de vida. Falar sobre saúde do homem, portanto, também significa falar sobre emoções, rotinas e relações. Mais do que um evento anual, a campanha busca promover um movimento contínuo de transformação, apoiado em políticas públicas bem estruturadas, capazes de reduzir desigualdades e fortalecer o cuidado integral dirigido aos homens.
Bruno Claros Correia, Laura Steffens - Discentes do Curso de Enfermagem
Me. Edenilson Freitas Rodrigues - Docente do Curso de Enfermagem