MAIS UM ANO COM EXPECTATIVAS FRUSTRADAS!
Os usuários e o público potencial da educação superior no Brasil viveram mais um ano de expectativas frustradas. Uma política pública voltada a qualidade e a inclusão é por muito tempo esperada, porém, pouco se avançou ao longo de 2023. O que se observou foram apenas declarações, envolvendo o Ministro da Educação e seus Secretários, admitindo que o Brasil precisa de rever o modelo de educação a distância, especialmente nas licenciaturas e em cursos vinculados a saúde. Na última década, verificou-se um rápido crescimento na oferta de cursos na modalidade a distância. O número de matriculados no EAD superou o presencial na maioria dos cursos em 2023. Nota-se, no entanto, que, aos poucos, o Estado, o mercado e os estudantes começam a perceber, que não basta simplesmente ter um diploma para que haja progresso e desenvolvimento. É necessário ter conhecimento e desenvolver competências requeridas pelas organizações. Aprender e desenvolver competências, de fato, não é tão fácil, conforme é apresentado por muitas organizações. Em muitos casos, um componente curricular de 80 horas pode ser reduzido a leitura de uma apostila de 100 páginas e/ou a um conjunto de vídeos complementares. Não é razoável supor que a competência para a resolução de problemas cada vez mais complexos, em todas as áreas, possa ser desenvolvida de forma simples ou sem um esforço proporcional ou a orientação de pessoas (docentes qualificados). No Brasil, na maioria dos cursos superiores EAD, se vende a facilidade na forma de aprendizado e pagamento, com o aval do Estado, que vê, neste modelo equivocado, uma forma de aumentar o número de jovens de 18 a 24 anos no Ensino Superior. Gestores públicos precisam se dar conta de que a facilidade apresentada como solução, nos últimos anos, não melhorou os indicadores de qualidade (duvidosos, segundo o Tribunal de Contas da União), pelo contrário, fragilizou as instituições que tem como propósito educar para o progresso das comunidades. As organizações, de modo geral, exigem mais qualidade no Ensino Superior. Desejam pessoas com competências técnicas e comportamentais desenvolvidas e certificadas em espaços de tempo menores. Neste contexto, esforço, dedicação, disciplina e a orientação de docentes qualificados são, de fato, os componentes que, ao invés de facilidade, trarão felicidade no longo prazo a pessoas e organizações.
Adm. Antonio Roberto Lausmann Ternes
Diretor Geral das Faculdades Integradas Machado de Assis/FEMA.